Nossa razão

Quem é Mário Ferreira dos Santos? Que importância tem ele para merecer uma revista eletrônica? Perguntas como estas são mais do que legítimas, porque é exatamente isto o que aconteceu a um dos maiores filósofos do século XX: tornou-se um “quem”, um espectro vagando nos recônditos da cultura brasileira, enquanto as traças devoram seus livros nas sepulturas dos sebos.

Tão subtraído foi esse filósofo nos últimos 40 anos que às vezes a apresentação de suas obras adquire um ar de “conhecimento iniciático”. Os que conhecem Mário somente de nome o mencionam por aí como um “anarquista cristão”, outros como “astrólogo pitagórico”, outros até mesmo como um “místico”. Os que efetivamente leram Mário Ferreira dos Santos sabem que tais epítetos não passam de ridículos espantalhos, estigmas criados por quem desconhece a sua obra.

É impossível passar incólume pelas inúmeras sínteses que Mário realiza em sua filosofia concreta. Mesmo que compreender totalmente o seu imenso edifício seja tarefa hercúlea, talvez impossível, ao menos um sentimento muito forte desperta com sua leitura: o do espírito filosófico, o da crença em uma verdade que deve ser imediatamente investigada.

É esta convicção que nos levou à idealização da revista Filosofia Concreta. Acima de tudo, ela é uma tentativa de fazer justiça. Como pensar em uma renovação da cultura brasileira sem antes desenterrar os seus tesouros?

Publicado em Nossa razão | 9 Comentários